QUEREM MUDANÇA?

eleições europeias 2019
Ontem à tarde, por acaso, estava com a televisão ligada na TVI24 quando a jornalista, numa zona de praia, intercepta uma rapariga de 18 anos para lhe perguntar se já foi votar. A rapariga disse que não e quando foi questionada com o motivo dessa decisão disse algo que muitos dizem também: achava que o seu voto não fazia diferença, achava que não se revia em nenhum candidato, dizia que votava quando visse alguma mudança. Odeio quando dizem isto.

Deixem-me, então, contar-vos sobre as duas eleições em que não votei. Nas Autárquicas de 2013, as primeiras eleições em que podia votar, eu estava fartinha até aos cabelos de ouvir as promessas ridículas feitas pelos candidatos da minha zona, mas houve muitas coisas que aconteceram que me mostraram que as pessoas não têm limites para fazer o mal. Não votei. Ainda hoje me arrependo. É que a minha Junta de Freguesia empatou. Teve de repetir as eleições e aí eu já fui votar, mas o voto já não fez a diferença. O voto na 1.ª volta teria feito toda a diferença. Teria dado a vitória à lista que, depois, acabou por perder. Teria dado uma nova Junta de Freguesia. Quando acharem que um voto não faz a diferença pensem nisto.

Depois, não votei nas eleições europeias de 2014. E não estou a dizer nada disto com orgulho. Devia ter votado. Muita gente lutou muito para que eu pudesse ter direito a votar e eu defraudei essas pessoas. Não voltei a perder a oportunidade de votar. Fui informar-me. Li programas políticos. Até cheguei a ver debates. Já tive muitas opiniões sobre política e abstenção, mas desde o momento em que percebi que era uma grande burrice não votar percebi que as opiniões necessárias são as de que as mudanças não chegam se não fizermos por isso. Pode ser frustrante votar e não ver mudanças, mas pelo menos ficamos com a consciência livre de remorsos por não termos tentado contribuir para algo melhor, diferente.

Até à semana passada a minha mãe não queria votar. Está farta da política porque, em meios pequenos, pode ser muito limitativo ter opiniões. Acabei, não sei bem como, por a convencer a votar. Expliquei-lhe quem eram os candidatos em que considerava melhor votar e aqueles com quem achei que ela se identificaria mais. Disse-lhe em quem ia votar. Ela também ia votar nessa pessoa. Expliquei-lhe que a melhor forma de protesto é votar em branco e que pode perfeitamente votar assim quando não se revir em nenhum candidato. Mas, ainda assim, não foi surpreendente ver abstenção elevada nas Europeias de ontem. Foi, isso sim, irónico perceber que o pânico relacionado com o Artigo 13 só serviu para isso mesmo e não para incentivarem pessoas a votar.

Quando pensarem que a União Europeia não nos importa lembrem-se do Erasmus, dos fundos comunitários, da facilidade de viajarem pela Europa, do Artigo 13 que tanto chateou. Não nos importa? Têm a certeza?

Em Setembro/Outubro há novas eleições, desta vez para a Assembleia da República. Elegemos deputados e podemos ou não ter novo Primeiro-Ministro. Ainda vão mais do que a tempo de se informarem sobre o sistema político e sobre os partidos. Querem mudança? Façam por ela, votem por ela.


4 Theories So Far

  1. É tão, tão isto! As pessoas reclamam, querem mudanças, mas na hora em que podem contribuir para estas aconteçam não o fazem. Isso é de uma incoerência tremenda, além de ser, na minha opinião, um total desrespeito por aqueles que tanto lutaram para podermos votar.

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    1. "Ah e tal, ganham sempre os mesmos." "Então e em quem votaste?" "Não votei." Bem, assim é que não vais contribuir para que outros possam ganhar... 🤷‍♀️

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  2. Muito isto. A mudança não acontece se ficarmos de papo para o ar à espera que ela nos caia nas mãos...e nas europeias acho que não há mesmo noção de quão importante isto é. É muito giro ver as redes sociais cheias de apelos ao voto, mas a verdade é que nem toda a gente fala destas coisas e a grande maioria não quis saber...até quando?!

    Jiji

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    1. Nem as pessoas compreendem a importância da UE nem parece haver muitos interessados em explicar, mas depois uns querem ir fazer Erasmus, outros querem subsídios vindos de fundos comunitários da UE, outros querem viajar pela Europa sem precisar de passaporte, etc., etc.

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