MOVIE 36: PELAS VEZES EM QUE PERCO ESPERANÇA NO AMOR

notting hill
Até há três dias, não fazia ideia do que ia escrever sobre o mês de Fevereiro no projecto Movie 36. Vi um filme, não tinha propriamente algo a dizer sobre ele, e não ando com muita vontade de ver filmes. Sim, eu sei que ficaram completamente embasbacados com a quantidade de filmes que vi em Janeiro, mas este é o meu normal: ver dois ou três filmes por mês e já é muito. Este mês, então, parecia que não ia conseguir escrever nada aqui. Nem sabia como ia fazê-lo. Depois falei sobre o Notting Hill com a minha mãe e decidi que o ia ver... pela centésima vez, talvez.

Verdade seja dita, de vez em quando preciso da minha dose de comédias românticas. Daquelas bem ficcionais, que nos deixam a suspirar e que nos fazem acreditar no amor durante um bocadinho. O Notting Hill é só uma das muitas comédias românticas que já vi mais do que uma vez. E embora só reponha os meus níveis de esperança no amor durante duas horas, preciso dessas duas horas de vez em quando.

Já fui a romântica incurável, que acreditava em grandes gestos e em histórias de amor bonitas. Já fui a grinch do amor, que não acreditava em amor, em relações, em nada. Agora não sei. Ando ali no meio termo. Ora me dá para acreditar que o amor da minha vida vai interromper uma conferência de imprensa para dizer o quanto me ama, ora juro a pés juntos que o amor é uma invenção que nos venderam para tentarmos procurar algo nos outros. Também há outras versões, mas não vou estar aqui a contar-vos quais são, não vá o amor da minha vida ler isto e decidir que é melhor dar meia volta e fugir a correr.

Sempre que acho que não acredito no amor lembro-me de que estou a escrever um romance. E se acredito no romance que estou a escrever também acredito no amor. Talvez a questão seja mesmo essa. O meu lado racional gosta de acreditar que há sentimentos estranhos que nunca compreenderemos e que talvez nunca os venhamos sentir. Mas o meu lado de escrita de ficção acredita um bocadinho no amor, naquelas pessoas que se cruzam por acaso e, por acaso, engraçam uma com a outra, naquelas pessoas que não traem, que ficam ao lado uma da outra mesmo quando as coisas ficam negras ou quando uma das partes está a passar por algo complicado. Não sei qual dos lados tem mais força. Mas, durante o Notting Hill, o lado que acredita é mais forte. Mesmo que nada daquilo pareça possível num contexto real. Porque as probabilidades de a nossa paixoneta famosa entrar no nosso local de trabalho são minúsculas. E depois despejarmos sumo de laranja nessa paixoneta e ela aceitar ir a nossa casa limpar-se? Ainda mais minúsculas! E antes de sair nos beijar? Uiiii, atómicas!

Mas é para isso que servem os romances, para nos fazerem acreditar no amor quando parece que perdemos esperança nele. Para nos dizerem que talvez o amor esteja à nossa espera num sítio completamente improvável, como aquela livraria de livros de viagens que tem prejuízo. E para nos lembrarem de que, no fundo, somos todas a Julia Roberts: just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her. Mesmo quando queremos estar sossegadinhas da vida sem todos estes dramas amorosos.


Também vi:
Quem também participa no Movie 36
Lyne, Imperium

Francisca, Apenas Francisca
Sónia, By The Library
Inês, Vivus
Vanessa, Make It Flower
Cherry, Life of Cherry
Joana, Jiji
Inês, Wallflower
Abby, Simplicity


2 Theories So Far

  1. Eu passei pelas ruas onde esse filme foi gravado mas nunca o vi! Sou uma esquesita para esse género de filmes, mas não nego que o meu lado romântico de vez em quando gosta de ver uma bela história de amor
    Por onde anda a Sofia?-Instagram

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  2. Ora aqui está um dos meus romances favoritos, um daqueles que me faz acreditar que tudo é possível e que o amor não tem limites. Que as coincidências estranhas podem acontecer no mundo real, podem! Quantas e quantas são as histórias de amor que nos rodeiam e aquecem a alma quando contadas.
    Honestamente, nunca vivi uma história de amor intensa, porém, vou sempre acreditar nele e na força que ele tem. Amor não é só isto, é muito mais e mais forte.

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