CONTAR AMIGOS

beach wind
Lembro-me de pensar que aquele grande grupo de amigos ia ser para a vida, ou quase. Era um pensamento ingénuo, eu sei. A verdade é que há alturas da vida em que tomamos coisas como garantidas, achamos que vão ser para sempre. E depois não são. Aos poucos, as coisas vão mudando. Comigo, pelo menos, é sempre assim: as coisas mudam devagarinho, aos poucos, e um dia há uma mudança brusca e já nada é igual e não se consegue perceber o que aconteceu e dou por mim a cantar excertos da Creep, dos Radiohead, porque não faço ideia de what the hell am I doing here?

Das pessoas que conheço, incluindo daquele grupo, fui a pessoa que teve uma mudança mais significativa no grupo de amigos. Eram muitos, passaram a ser tão poucos. E isso sempre me preocupou e assustou. E então usava sempre o termo amigo quando me referia a pessoas que conhecia ou a colegas de turma. Era mais fácil e parecia que estava tudo como sempre esteve. Mais uma vez as coisas foram mudando e quando dei conta já não pensava assim, já não era assim.

Vivia preocupada com o facto de não ter muitos amigos, de não ter criado laços fortes com aquelas pessoas que pareciam extremamente porreiras e populares, e, com isso, nunca percebi que não precisava realmente de ter todos os amigos do mundo, não precisava daquele grupo de amigos com o qual era impossível combinar algo porque as vidas eram demasiado díspares.

Não tenho um único amigo (ou amiga, for that matter) que seja igual a mim. Mas há um bocadinho de mim em cada um dos meus amigos e há um bocadinho de cada um deles em mim. E finalmente percebi que é isso que quero, é só isso de que preciso. Os meus amigos são aqueles que a minha mãe trata por sobrinhos (e que a tratam por tia) com todo o amor deste mundo, são aqueles com quem vou tomar pequeno-almoço e saio de lá à hora de almoço, são aqueles que não se importam de molhar a roupa numa ida à praia.

E ontem, no regresso a casa, atravessei a ponte a olhar para todos os pontinhos luminosos de Lisboa e lembrei-me de que a vida é muito mais fácil quando estamos mais preocupados em sorrir com dias cheios e bonitos do que em contar pessoas e lamentar as que já não fazem parte da equação. 


6 Theories So Far

  1. Só para dizer que tu disseste tudo por mim. E sabes, esses são os melhores amigos que podes ter. <3 Gostei de te ler!

    Jiji

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  2. amigos verdadeiros contam-se pelos dedos das mãos. nao é preciso muitos amigos muitos felizes! tenho poucos, mas gosto muito dos que tenho! quando vou a casa do meu namorado, apanho o fertagus e adoro ver as luzinhas da cidade à noite! é magico :D

    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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  3. Este deve ser o teu texto com que mais me identifiquei. E de que mais gostei, por ser tão verdade. Por muito tristes que fiquemos quando nos damos conta dessas mudanças, haverá sempre pessoas (e momentos) que nos mostram que tudo tem uma razão de ser e que, mesmo que poucos, os verdadeiros amigos serão sempre amigos. Obrigado por este texto <3

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  4. Olha, é isso mesmo. Os amigos não nos devem atormentar, mas sim fazer-nos sorrir!
    Beijinhos

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  5. És, neste momento, a minha blogger favorita. E não o digo isto por dizer, mas sim por se tratar de uma publicação sobre amigos (achei um bom momento). E sei que mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, mesmo que a gente fique meses sem falar, eu considero-te uma amiga. E, no futuro, a tua mãe será mais uma tia minha. Aponta aí.

    Obrigado, Sofs. Por tudo!

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  6. Tal como diz o velho ditado, mas vale serem poucos e bons!
    Beijinhos. :)

    https://avidaebelaaa.blogspot.pt/

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