QUEM NUNCA ESPEROU HORAS NUMA FILA DE UM CONCERTO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

MEO Arena, Lisboa
Estive quase a deixar para trás a ideia de escrever este texto, mas o meu feed do Twitter de hoje apresentava-me só tweets de críticas a quem acampou durante uns dias à porta do MEO Arena para ver o concerto que o Justin Bieber deu na noite de ontem. Li as críticas, concordei com um ou outro ponto mas, no final, concluí que eu deixaria os meus filhos fazer o mesmo. E que talvez até eu o faça um dia destes, sabe-se lá. Porquê? Deixem-me contar-vos uma história.

Os Linkin Park e os Arctic Monkeys são as minhas bandas preferidas de sempre. Infelizmente, só vi Linkin Park ao vivo uma vez, no Rock in Rio de 2012. Em 2014 não tive o dinheiro nem a companhia. Nunca vi Arctic Monkeys. Se uma destas bandas viesse a Portugal... porra, até se os The Last Shadow Puppets viessem, eu iria querer ter um bom lugar para ver o concerto, um lugar à frente. Se há concertos em que uma pessoa só quer estar lá e não importa se está na plateia ou no balcão, se fica na primeira ou na última fila, há outros em que queremos estar o mais próximos possível do palco. Para mim há uns quantos artistas na lista, para aquela gente acampada no MEO Arena esse artista era o Justin Bieber. Se eu o faria pelo Bieber? Não, mas se calhar eles também não o fariam pelo Alex Turner.

Dos concertos a que já fui, nunca dormi de véspera ao pé dos recintos. Já esperei longas horas em filas e de todas essas vezes fiquei na primeira fila. Front row, só assim para lixar os haters [podem rir, é esse o objectivo]. Para os Muse, por exemplo, só pude ir para a fila às duas da tarde porque não podia mesmo faltar à aula da manhã mas tinha alguém a guardar-me lugar desde as dez. Ficámos na primeira fila e valeu muito a pena. No ano passado, para um outro concerto também fui para a fila à hora de almoço. Oito horas e tal de espera e fizeram-se relativamente bem. Conhecemos outras pessoas da fila, conversámos, partilhámos histórias e foi interessante. Afinal, a música devia juntar pessoas, não é? E não tem de ser só dentro do recinto quando estão todos a cantar. Este ano para ir ao MEO Arena ver D.A.M.A acordei às 6h30 da manhã. Apanhei um comboio às 7h30, fiz uma viagem de quatro horas e esperei praticamente nove horas para entrar. Já havia pessoas na fila há algum tempo. Primeira fila mais uma vez.

Acho que as pessoas são mais rápidas a criticar porque é um concerto do Justin Bieber. Talvez o preconceito venha daí, o que é ridículo porque eu bem vejo pessoas que dizem odiar o Bieber a ouvir músicas deles no Spotify. Ao menos ligavam a private session, se não queriam que soubéssemos que estão a um passo de se tornarem beliebers. Até eu gostava de ter ido ver o concerto. Não acampava nem ia para a plateia. Ficava no sítio mais baratinho e já estava bem servida, mas gostava de ter visto. Mas agora pensem um bocadinho: imaginem que é a vossa banda preferida de todo o sempre, o vosso cantor preferido. É um concerto numa sala enorme e vocês querem ficar num bom lugar e sabem que vai haver muita gente. Porra, não me digam que não pensariam em acampar? Nem que fosse pela experiência (eu nunca acampei, mas acho que deve ser uma experiência gira). Ok, se calhar sou só eu que acho que uma ida a um concerto não é só ir lá dentro, ver o concerto e vir embora. Se calhar sou só eu a achar que ir a um concerto deve ser uma experiência dentro e fora do recinto.

Nunca pude ir a muitos concertos nem a muitos festivais. São mais os concertos em que me fico pelo quem me dera ter dinheiro ou pelo quem me dera estar mais perto, etc., do que os concertos a que vou. Ainda estou aqui a sofrer um bocadinho por ter perdido The Cure e por ir perder Bruno Mars. Mas quando posso ir a concertos gosto de o fazer da forma certa. Se tiver de esperar horas, eu espero. Se tiver de percorrer 80km, eu percorro (no início do mês fui a Lamego de propósito, amanhã vou à Guarda de propósito). Se calhar estas pessoas não vivem a música como eu e como uma ou outra pessoa que vi dizer que deixaria os filhos acampar. Eu também deixava. Se não tinham testes nem trabalhos, por mim podiam ir. Depois iam ter de dar tudo na escola mas as pessoas são tão felizes em concertos. Deixá-los ser felizes, pá.


7 Theories So Far

  1. Eu critico e não é por ser o Justin Bieber, ele é um bom cantor, digam o que disserem, o chavalo evoluiu muito no seu estilo musical e daquilo que ele era no início.
    O problema aqui é que são menores, que estão em tempo de aulas, na altura mais crítica do ano escolar: o final do período onde os testes são quase diários. Estas adolescentes e outras que já não o são acham que faltar uma semana às aulas para dormir ao relento com o frio e a chuva para ver um concerto é altamente, que não faz mal, que não lhes afecta em nada a vida. Isto tem lógica?!
    Se fossem meus filhos não iam. Não iam por vários motivos: primeiro quem manda neles são os pais, segundo quem paga as despesas deles são os pais, terceiro se o filho anda na escola essa é a única obrigação e o dever que tem, de ir à escola e de ser bem sucedido. Os jovens de hoje em dia acham que o dinheiro vem do ar, porque têm-no sempre! Eles não dão valor ao esforço enorme que fazem por eles, porque são da geração que já tem tudo.
    Provavelmente estou a soar como alguém mais velho, mas eu tenho 24 anos e tal como tu, sou de um meio pequenino onde concertos há poucos/nenhuns e aqueles que eu gostava de ter ido fiquei a roer-me porque não podia. Eu não tive nem metade da liberdade que os jovens de hoje em dia têm e graças a deus que não tive! Eu vejo com cada coisa... enfim, isto já lá vai longo, por isso vou resumir:
    atiro um balde cheio de pedras à cabeça de certos pais que deixaram os filhos acampar lá uma semana, porque o problema não são os filhos, são os pais.

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    1. Tal como disse: se não tiverem testes nem trabalhos, não vejo problema. Faltei algumas vezes às aulas por motivos mais condenáveis e tive sempre os apontamentos dos outros para compensar. Claro que se os filhos são um terror e não merecem um voto de confiança não o podem ter, mas às vezes falta o meio termo: nem demasiada liberdade nem demasiadas proibições. Conheço casos nos dois extremos e falta-lhes o equilíbrio. Claro que o facto de faltar às aulas não é algo que se decida de ânimo leve e deve sempre ter-se em conta uma data de factores mas é o que eu acho... se calhar quando/se for mãe mudo de ideias.

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  2. Posso atirar a primeira pedra então :p

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    1. You have not lived! Agora a serio: Nunca? Nem uma horinha?

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    2. Nope. Normalmente chego sempre à hora certa!

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  3. Sofia, lamento dizer-te que atiro a primeira pedra. Já tive o privilégio (GRANDE privilégio) de ver quase todas as minhas bandas preferidas - faltam umas - mas por nenhuma submeti-me a esperas longas e absurdas. Nem por Coldplay, que é a banda da minha vida! Aliás, cheguei mesmo no limite da hora.
    Já estive em primeiras filas - nunca sacrifiquei horas por isso, porém - e, se queres que seja totalmente sincera, não me faz grande diferença. Não estive em primeira fila para ver Coldplay, por exemplo, e nem por um segundo sinto que perdi o que quer que seja. Por outro lado, quase que contei os poros do Alex Turner e a experiência foi igual a todas as outras a meio da plateia. Estou mesmo a ser sincera.
    Para mim, um concerto, seja ele qual for, ganha pela setlist, pelo ambiente que o artista ou banda proporciona e pela companhia com que divides o momento (a de alguém ou a tua própria companhia). Não me interessa se vejo as narinas do Chris Martin ou se estou a um milímetro de receber um high-five. Eu só quero dançar à brava, cantar as letras com todas as outras pessoas que também o sabem e partilhar ao máximo esse momento tão feliz com a minha companhia. O resto, na minha opinião, é pormenor :)

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    1. Como é mais do que óbvio: o concerto em si é o mais importante. Não sei se foi essa a ideia que passei, mas não quis dizer que isso não era importante. Se as músicas não fossem o mais importante mais valia nem vermos o concerto, não era? Para mim faz sentido querer ver concertos o mais à frente possível quando é caso disso, principalmente quando ainda tenho vida para o fazer. Fui "educada" assim e nem sempre tive de esperar horas para conseguir esse lugar à frente. Além disso, no melhor concerto a que já assisti estava no fundo da sala e nem por isso deixou de ser bom. Só quis dizer que há momentos em que, para mim, faz sentido querermos estar lá à frente. Eu vi Linkin Park no meio do recinto e nem por isso deixei de aproveitar o concerto mas se tivesse tido oportunidade claro que queria ter estado mais à frente. Mas isto sou eu, claro. Cada um vive a experiência de um concerto como prefere!

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