OPEN

Book Review: Open, de Andre Agassi
It's no accident, I think, that tennis uses the language of life. Advantage, service, fault, break, love, the basic elements of tennis are those of everyday existence, because every match is a life in miniature. (...) Points become games become sets become tournaments, and it's all so tightly connected that any point can become the turning point. It reminds me of the way seconds become minutes become hours, and any hour can be our finest. Or darkest. It's our choice.
Lembro-me perfeitamente do dia em que li este excerto pela primeira vez. Estava a procrastinar pelo Goodreads, no final de abril, e deparei-me com um excerto que me fez todo o sentido. Durante dias, aquelas palavras não me saíam da cabeça. Já conhecia o Andre Agassi, é claro, mas não conhecia o livro. Fui pesquisar, como faço antes de comprar qualquer livro, sem feedback. Só semanas depois o comprei mas, depois de ficar com vários excertos a pairar durante dias e dias, era inevitável fazê-lo.

Para os que não sabem, Andre Agassi é um dos maiores tenistas de todos os tempos, que terminou a carreira em 2006. Foi várias vezes número um do ranking ATP, ganhou oito Grand Slams (os Grand Slams são o Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e o Open dos EUA) e foi o primeiro tenista a conseguir o Career Golden Slam (que consiste em ganhar todos os Grand Slams e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos). 

Isto era o que eu sabia sobre ele. Não sabia nada sobre a infância, sobre o que ele sentia em relação ao ténis, sobre os altos e baixos, sobre a Brooke Shields! É por isso que eu adoro ler registos biográficos. Há aquela sensação ilusória de que estamos a conhecer a pessoa até ao mais íntimo do ser — mesmo que não estejamos.
Life will throw everything but the kitchen sink in your path, and then it will throw the kitchen sink. It's your job to avoid the obstacles. If you let them stop you or distract you, you're not doing your job, and failing to do your job will cause regrets that paralyze you more than a bad back.
O grande ponto forte desta biografia é a forma como nos envolve, como nos permite tirar as nossas próprias conclusões sobre o Agassi. A escrita pode ter uns toques do J.R. Moehringer, que venceu um Prémio Pulitzer, mas aqueles pensamentos são totalmente Agassi. Com uma infância fortemente marcada pelo ténis e pelo pai viciado em ténis, com a típica rebeldia que seria de esperar depois de ser enviado para uma escola de ténis na Flórida, bem longe de casa, em Las Vegas, acho que aquilo que começa por marcar mais o livro é a afirmação segura de eu odeio ténis. No final do livro, depois de tudo o que li, concluo que talvez não seja bem assim, que talvez Agassi odiasse as consequências e o impacto do ténis na sua vida mas não realmente o ténis.

Da minha parte, eu adoro ténis, o que tem o seu quê de estranho porque eu nunca joguei ténis (excepto na Nintendo Wii... saudades!) e tenho a certeza de que eu num court era capaz de não ter bons resultados, mas isso são outras histórias. Li o Open maioritariamente entre partidas de Wimbledon ou ao fim da noite, quando as insónias não me permitiam dormir. Não pegava num livro há dois meses e esta foi a melhor escolha que podia ter feito.

Dei-lhe 5 estrelas por algum motivo. Talvez haja detalhes secundários que poderiam ter sido omitidos; admito que gostava de ter lido um bocadinho mais sobre a sensação de ganhar em Wimbledon ou no Roland Garros; e, certamente, teria gostado de ver melhor exploradas algumas partes fundamentais da estrutura psicológica do tenista, mas fiquei sempre presa ao livro, ao que era contado, quase via as partidas de ténis acontecer à minha frente e, por várias vezes, o Open ajudou a conhecer Agassi e, acima de tudo, a conhecer-me um bocadinho melhor. Gosto de livros assim.
Now that I've won a slam, I know something very few people on earth are permitted to know. A win doesn't feel as good as a loss feels bad, and the good feeling doesn't last long as the bad. Not even close.


2 Theories So Far

  1. Um livro verdadeiramente cativante e inesquecível. A sensação com que fiquei foi a de que o Agassi se ressente muito mais pelas derrotas do que se congratula com as vitórias. Apesar de ser um dos tenistas mais bem sucedidos de sempre, nota-se que se sente sempre quase como uma "fraude". Quem não conhecer a sua carreira nem o seu sucesso e ler apenas o livro creio que tende a ficar com a sensação de que ele nem foi um tenista tão bom assim. No final do livro fiquei com a sensação de que isso é talvez o que define mais o Agassi. Ele foi um tenista incrível mas raramente foi capaz de se ver como tal.

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    1. Realmente, não tinha pensado num dos pontos que focaste mas tens razão quando dizes que quem não conhecer a carreira dele e só ler o livro pode ter a sensação errada! Acho que essa dificuldade em ver a sua qualidade foi, muitas vezes, a sua maior limitação.

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