COMO É QUE SE LIDA COM ISTO?

ESCS
Nunca vou esquecer a primeira vez que entrei na ESCS. Estava cansada de subir as escadas do inferno, cheia de calor e tropecei numa pedra, mesmo antes de uma trajada vir ter comigo. A primeira coisa que pensei da ESCS foi f***-**, eu vou morrer se tiver de subir estas escadas todos os dias. Logo a seguir veio o ah e tal, isto nem é muito grande mas como raio é que eu me vou orientar com tanta escada e tanta porta? E ainda tive tempo para um onde raio é que me vim meter? antes de chegar sequer à porta.

O primeiro ano de faculdade foi das coisas mais difíceis da minha vida e, ainda assim, acho que dava tudo para ter um bocadinho mais daquela ingenuidade de quem desejava acabar o curso o mais depressa possível. Três anos parecia muito. Ainda parece. Mas uma semana e meia parece nada. Foi na ESCS, com pessoas da ESCS, que aprendi a lidar com os meus próprios complexos. Foi lá que chorei quando achei que não aguentava mais e que ia desistir. Foi lá que voltei a dar abraços, que percebi que conseguia deixar as pessoas entrar na minha vida, mesmo que demorasse. Passei metade do curso a tentar ultrapassar um passado e em nenhum desse tempo pensei que este final ia custar tanto.

Naquele primeiro dia, naquele primeiro ano, eu nunca daria nada pelo que tinha aqui. E agora parece que todos os dias há algo para chorar, algo que soa a despedida definitiva. Todos os dias há aquela sensação de que não volto a ver a pessoa X ou Y. Muitos me disseram que ia trabalhar muito aqui, que ia aprender muito, que ia dormir pouco. Ninguém me disse, nunca, que ia dar por mim a chorar sempre que a frase "já pensaste que não o vais voltar a ver" fosse proferida. Sinceramente, não me lembro de tudo o que aprendi nestes três anos. Mas acho impossível esquecer a forma como algumas pessoas mudaram a minha vida.

Eu não sei lidar com despedidas. Nunca soube e, da última vez, no final do secundário, custou muito num ano e no ano seguinte nem tanto. E o motivo principal para custar tanto era um rapaz. Sim, aquelas lágrimas todas no final do 12.º vinham todas de um rapaz, porque o meu melhor amigo sempre soube que não ia deixar de o ser ali. Agora também há um rapaz, e todos os dias há algo a lembrar-me do facto de não sermos sequer do mesmo círculo de amigos, nem de zonas parecidas, e de não haver nada que motive que nos vejamos depois disto. Mas há outras pessoas. Muitas outras pessoas. O Porto pode andar na merda mas eu não sei perder, não sei lidar com derrotas e não consigo lidar com o sentimento de perda. E não sei lidar mesmo com este sentimento de perder pessoas. Se calhar é uma boa ideia começar a garantir o stock de lenços. E garantir também que não saio daqui sem um abraço daquele grupo que mudou a minha vida, incluindo dele.


2 Theories So Far

  1. Foi tão assustador ler isto, Sofia. Não num mau sentido, claro, mas transmitiste tão bem o que estás a sentir que eu, no primeiro ano, já estou com receio de chegar ao terceiro e ter de deixar aquela família para trás. Força <3

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    1. Awwww! ainda tens dois anos, tens de os aproveitar muito bem! :)

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