A FALTA QUE AS PALAVRAS FAZEM

Quando faltam as palavras.
Há uns tempos aconteceu-me uma coisa interessante. De repente, concentração era uma palavra muito complicada para o meu cérebro assimilar e conseguir dormir uma noite inteira sem acordar era uma vitória merecedora de festejos. O acontecimento em si só é mesmo interessante para mim, mas o facto de ter começado a passar várias horas acordada durante a noite tem-me dado a oportunidade espectacular de pensar na vida. Em tudo da vida. Aqui há dias, acordei a meio da noite e, como não conseguia dormir, comecei a pensar num trabalho que vou ter de fazer no 2.º semestre. Vejam bem: já defini tema, fio condutor e tive umas quantas ideias para um trabalho que é para fazer no 2.º semestre. Um semestre que ainda nem começou. Pois é.

Excluindo estes actos iluminados, a maior parte do meu tempo é passada a pensar em como raio é que eu adormecia antes. A parte boa é que são cada vez mais as noites em que consigo dormir. A parte má é que já tive demasiadas noites a dormir mal e, por isso, já deu para pensar nesta vida e nas outras. O problema de haver acontecimentos que nos mudam um bocadinho é que nem sempre conseguimos perceber como seguir a nossa vida depois disso, como viver em paz connosco e com os outros, como olhar para as pessoas que o presenciaram. E, garanto-vos, o problema está mais em mim do que nos outros. Porque para os outros é algo relativamente normal. O que mudou foi uma parte de mim, não uma parte deles.

Quando a consciência pesa gosto de escrever sobre isso, mesmo que depois apague tudo ou deite fora as folhas. Mas, neste caso, com consciência pesada ou não, não consigo escrever grande coisa. Faltam-me palavras, falta-me organizar pensamentos, falta-me compreender(-me). Não me faltam as palavras certas, faltam-me todas as palavras. No meio de noites mal dormidas, de conversas idealizadas, de coisas que ficam por explicar, aquilo que percebi foi que não importa o que acontece mas sim a forma como lidamos com tudo e aquilo que aprendemos — sobre nós e sobre os outros. E eu aprendi que, mesmo nas noites mal dormidas, mesmo na consciência pesada, mesmo quando não quero, eu ainda consigo tomar decisões minimamente acertadas. Falta-me só arranjar as palavras.


5 Theories So Far

  1. Bom texto, e boas reflexões - que as noites mal dormidas sirvam pelo menos para pôr o pensamento em dia, mesmo que não se chegue a conclusão nenhuma. Havemos de lá chegar!

    Jiji

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O meu pensamento está mais do que em dia com tanta noite mal dormida! Vamos ver se começo a chegar a conclusões...

      Eliminar
  2. Adorei a tua reflexão, identifiquei-me bastante com ela. Houve uma fase no 11º ano em que eu também não conseguia dormir nada, e então ficava a pensar na vida. Mas felizmente agora consigo dormir muito bem.
    É engraçado, é à noite que eu tenho as melhores ideias para escrever, mas muitas vezes essas ideias acabam-se por perder porque não tenho nada à mão para apontá-las.

    Um truque que eu uso quando tenho dificuldades em adormecer é pensar em cenários calmos como a praia ( sem sem em época balnear obviamente xD), uma floresta, no mar... Resulta sempre. Se começar a pensar demasiado na vida já não consigo adormecer.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também costumo ter boas ideias para escrever à noite. Mas, para mim, pensar em cenários calmos, não costuma resultar. Normalmente opto por ficar a ver séries ou um filme até estar praticamente a cair para o lado :p

      Eliminar
  3. Olá! :) Nomeei o teu blog para uma Tag, passa por lá e dá uma espreitadela :) http://something-on-the-way.blogspot.pt/2016/02/tag-liebster-award.html

    ResponderEliminar

A resposta aos comentários é dada na própria caixa de comentários.

Não serão aprovados comentários de carácter ofensivo (para mim, para quem possa estar mencionado no texto ou para os meus seguidores e comentadores) e/ou que atentem contra a liberdade humana. Assim como não serão aprovados comentários de ódio puro.