i don't need my heart, you can break it*

Não foi há muito tempo a última vez que sonhei com alguém como tu na minha vida. Ok, não exactamente como tu, porque ainda não tenho essa capacidade de adivinhar, mas com características que vejo em ti. No entanto, esse alguém estava presente nos meus desejos mais recônditos como quem sonha casar com o príncipe de Inglaterra.

Às vezes acho que leio demasiado, que vejo demasiada ficção. Só isso pode justificar o facto de eu ter chegado até depois dos 20 a acreditar que a Samantha do Sex & The City poderia viver no meio de nós, como qualquer comum dos mortais. Sim, eu acreditava que as mulheres conseguiam envolver-se com um homem sem haver sentimentos à mistura. Na verdade, ainda acredito. Só que eu não sou uma Samantha. Eu acredito no amor, no romance, nos amo-te e nos para sempre. Se calhar tenho demasiada ficção presente na minha vida.

Isto não era suposto ser assim. Conhecia o teu nome e nunca poderia esperar que esse nome tivesse, agora, aquele efeito masoquista de quem sente a dor das saudades mas fica feliz na mesma. De todas as coisas inexplicáveis, a mais inexplicável delas todas será a forma estúpida como me ficaste na cabeça. Estúpida, claro. Porque eu mando-te embora e depois acabo presa.

Tu vieste e eu compreendi por fim que há coisas que, vistas de fora, são muito mais simples: é muito mais simples criticar, julgar, atacar. Tu vieste e eu juro que tudo o resto deixou de fazer sentido. Gosto de acreditar no destino ou em algo parecido. Os acontecimentos encadeiam-se. Cada decisão que tomamos leva-nos a um determinado lugar. Uma boa dezena de acontecimentos que se deram levou a isto. Se uma destas coisas falhasse eu não estaria aqui agora a escrever isto. Mas aconteceram. Sabe-se lá porquê, isto tinha de acontecer.

Mas eu mandei-te embora. E tu foste. Por vezes, à noite — não foi para isso que fizeram as noites? —, dou por mim a desejar que voltes e que tragas contigo aquele sorriso, aquela urgência. Mas, depois, tenho medo. Tenho medo de não significar algo para ti, de não ser suficiente, de não te voltar a ter, de não me voltar a ter. Tenho medo de ter medo. Mas não temos todos?

Talvez o segredo esteja aí. No saber acalmar os medos uns dos outros. Mas para os acalmar temos de os conhecer e nós não sabemos nada um do outro. Como é que estas coisas acontecem a pessoas que mal se conhecem? Não devias ter ido embora quando eu mandei. Não devias mesmo.


*da música Never Enough, dos One Direction


6 Theories So Far

  1. Que texto magnífico. E que confusas que somos - sim, estou a generalizar, mas por norma a nossa cabeça de mulher-menina-que-viu-demasiados-filmes-de-princesas leva-nos a sonhar com coisas que na realidade não acontecem...querer e não querer querer. Coisa estranha.

    Jiji

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    1. Obrigada! :) Isto de ser mulher é complicado: queremos e não queremos, af, que complicação!

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  2. Tens de me contar melhor esta história. Fiquei à nora com o facto de o teres "mandado embora". Hm... temos de conversar, menina.

    Anyway, tens escrito textos incríveis sobre este assunto. Fogem aos típicos textos amorosos e isso agrada-me bastante. Espero que a situação dê uma grande volta e que me possas dizer - sim, porque serei o primeiro a saber, claro! - que conseguiste o que desejavas. Ou quem desejavas.

    I'm here for you if you need. Don't forget that!

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    1. Não há nada a contar, Johnny :p
      Obrigada! Não sei o que são "típicos textos amorosos" mas vou considerar isso um elogio :)

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  3. Adorei, senti cada palavra tua ! Identifico-me sempre contigo não sei porquê...

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    1. Obrigada! É bom ser compreendida :)

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