E SE EU NÃO QUISER ESPERAR?

Semana #1 de CPR
O CPR - A Reanimação da Escrita é um grupo de escrita que foi buscar o nome, CPR, ao cardiopulmonary resuscitation. Ou, em português, ao movimento de reanimação cardio-respiratória. Este grupo tem como objectivo lançar desafios semanais aos participantes, desafiando-os a ressuscitar a paixão pela escrita.

Eu fiquei a conhecer o projecto através de uma das co-fundadoras, a Catarina, do blog Joan of July, e enviei-lhe logo um e-mail para me inscrever! Ainda hesitei e comecei a pensar em coisas como e se não tenho tempo?, mas achei que o tempo era a desculpa mais esfarrapada e eu andava mesmo a precisar de algo assim! 

O tema da primeira semana foi What are you waiting for? An invitation? Parecia que me estavam a ler a mente! Ultimamente tenho pensado muito em esperas e no que é que me faz esperar por certas coisas. Depois, lembrei-me de uma conversa que tinha tido dias antes, sobre o futuro, e pensei logo na forma como me disseram para esperar. Como se esperar fosse a forma de estarmos sempre a salvo! Foi assim que nasceu o meu texto, a que chamei E se eu não quiser esperar?
Passo muito tempo da minha vida à espera. Na maior parte das vezes, as esperas são por comboios ou por professores que gostam de chegar atrasados. Também costumo esperar por lançamentos de álbuns ou de livros e por amigos que não sabem chegar a horas. Mas há alturas em que fico à espera e não sei de quê.

Aqui há dias, falei do meu plano para o próximo ano e a resposta foi “por que não esperas mais algum tempo?”. Mais? Acho que esperamos demasiado por… pois, por algo que nem sabemos o que é. Estamos aqui, esperamos, vemos algo chegar e deixamos a oportunidade passar sem a agarrarmos porque não é a altura certa, porque agora não dá jeito, porque pode vir algo melhor e então temos de esperar mais um bocado.

Sou uma pessoa paciente, mas acho que não quero esperar mais. Um amigo, uma vez, disse-me que “há comboios que só passam uma vez” — e é verdade. Perdemos esse comboio e podemos não voltar a ver outro comboio igual. Cansei-me de esperar por momentos certos, por melhores oportunidades, por dias melhores.


Se continuarmos assim, a esperar, vamos acabar com oitenta e tal anos, a falar daquelas coisas incríveis que não fizemos porque esperámos demasiado. Se é para dizer, vamos dizer agora. Se é para fazer, vamos fazer agora. Se é para ir, vamos agora. Se é para esperar… esperamos depois.


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