WHAT I LEARNED FROM MOVING TO LISBON

Moving to another city can be hard. We get to know other places and other sides of ourselves. From moving to Lisbon that's what I learned.
Sun rising on my first morning in Lisbon.

Há exactamente dois anos mudei-me para Lisboa. Não foi a primeira vez que fiz uma viagem sozinha até lá mas foi a primeira vez que levei uma mala cheia e um coração apertado. Deixar de viver com a minha mãe foi algo complicado. Estava a quase 400 quilómetros da minha terra natal. Estes dois anos foram difíceis. Mas foram os anos em que mais aprendi sobre mim, sobre o meu mundo e sobre amizade e relações.

Sou mais forte do que aquilo que imaginava.
Até me ver sozinha em Lisboa, sem saber com quem falar, eu achava que não conseguia ser uma pessoa forte. Durante mais de um ano, precisei de ter alguém a dizer-me que era forte para acreditar nisso. Depois, vi-me sozinha em Lisboa. Cidade grande, menina da aldeia. Ninguém com quem falar. Vistas bem as coisas... afinal, não era assim tão fraca. Descobri que sou mais forte do que pensava. E não precisei de que alguém o dissesse.

Enjoy the small moments.
Acho que, por vezes, todos tomamos algo por garantido. Eu fiz o mesmo. Acho que nunca tinha percebido o quanto amava estar em casa, com a minha mãe e a minha cadela, até estar longe delas. Desde o dia em que me mudei, comecei a aproveitar cada pequeno momento que tenho em casa. Às vezes nem tenho 48 horas, mas cada momento com a minha mãe e a minha cadela é, agora, mais precioso do que alguma vez foi. E estou tão agradecida por isso.

Poupar dinheiro é difícil.
Poupar dinheiro parece muito mais fácil quando estamos em casa dos nossos pais e não temos grandes despesas. Propinas, renda, comida... tantos gastos e tão pouco dinheiro. Às vezes não sei como é que consigo orientar o meu dinheiro. É quase milagre, principalmente porque a minha mãe não ganha assim tanto. Mas, até agora, não devo dinheiro a ninguém e consigo sempre pagar tudo. E quando não posso comprar algo, não compro. Simples.

Routine sucks!
No primeiro ano, era algo como: residência - metro 1 - metro 2 - faculdade - metro 1 - metro 2 - residência. Às vezes ia às compras antes de apanhar os metros para a residência. No ano passado a rotina simplificou para: casa - faculdade - casa. A rotina instala-se mais depressa do que o Windows 10. Nem sempre, nestes dois anos, soube lidar bem com a rotina. Aborreço-me, fico sem vontade de fazer o que quer que seja... mas aprendi a dar a volta à mesma. Já apanhei comboio até à Baixa depois das aulas só para ir ver o Tejo, já fui para casa pelo caminho mais longo, já fiz caminhadas antes das aulas... o importante é quebrar a rotina e, vamos admitir, também se consegue quebrar a rotina facilmente.

It's okay to be alone.
Acho que foi aqui que aprendi mais: em todos os segundos que passei sozinha. E não foram poucos. Aprendi a lidar com uma imensidão de problemas sozinha, aprendi a desenrascar-me e aprendi que não faz mal estar sozinha. Não há uma única pessoa (a sério) que saiba todas as coisas por que passei no primeiro ano em que estive em Lisboa, mas também não há quem saiba o quanto isso me tornou melhor pessoa e, sem dúvida, uma pessoa menos dependente dos outros. Além disso, aprendi a respeitar a solidão e a distinguir "estar sozinha" de "ser solitária".

A minha cidade é demasiado pequena... para tudo.
Os problemas que esta afirmação já me causou! Disse-o uma vez, no outro blog, e recebi logo dezenas de comentários (anónimos, of course) a acusarem-me de me achar "melhor", "mais importante", etc, etc, por estudar em Lisboa. Ninguém, no meio do meu texto, percebeu aquilo que eu queria dizer. Eu sou de uma aldeia, cresci entre essa aldeia e a cidade pequena onde estudei e não sou melhor por estar em Lisboa. Mas Lisboa fez-me ver um mundo que muitas das pessoas da minha zona nunca experienciaram.

Em Trancoso, se vissem um casal de dois rapazes de mãos dadas e aos beijos na rua, como eu vejo muitas vezes, tenho a certeza de que iam ficar escandalizados. Iam falar daquele casal a toda a gente e criticar. Em Lisboa ninguém quer saber. Vocês podem estar a chorar no meio da rua, toda a gente a ver, e não há uma pessoa que se chegue ao pé de vocês a perguntar o que se passa e muito menos essa pessoa vai comentar com alguém aquilo que viu. As pessoas não se importam. E isto são apenas dois dos milhares de exemplos que podia dar. A minha terra não é má, que não é, mas é demasiado pequena para o mundo que eu quero ver, para o mundo em que eu quero viver. E nem toda a gente compreende isso.



Mudaram de cidade para estudar, trabalhar ou só porque sim? 
O que aprenderam? Contem-me tudo!



4 Theories So Far

  1. Gosto sempre muito destes posts. Obrigada por partilhares connosco este tipo de experiências. Nunca estive numa situação semelhante e não sei se irei estar tão cedo, mas a verdade é que acredito que não deva ser nada fácil e tenho a noção de que para mim ia ser mesmo muito difícil. Ia ser sem dúvida nenhuma uma prova de fogo para mim própria, até porque tenho alguma dificuldade em estar sozinha muito tempo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada eu, por gostares!
      É uma prova de fogo, sim, mas acho que a parte mais difícil é ir. Depois de estares no local vai-se tornando mais fácil.

      Eliminar
  2. És uma corajosa, é o que tu és! :)
    Um dia gostava de ir sozinha para o Porto. Trabalhar ou estudar, ainda não sei. Mas acho que apesar de também ser uma cidade grande e desenvolvida, deve ser uma experiência totalmente diferente desta rotina a que estou habituada na capital.

    www.letmebelieve.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que exagero :p
      Porto? Vaaaaamoooooooos! Está na minha lista de cidades para viver e, possivelmente, será já no final do curso... vamos ver!

      Eliminar

A resposta aos comentários é dada na própria caixa de comentários.

Não serão aprovados comentários de carácter ofensivo (para mim, para quem possa estar mencionado no texto ou para os meus seguidores e comentadores) e/ou que atentem contra a liberdade humana. Assim como não serão aprovados comentários de ódio puro.