O AMOR TAMBÉM SE MEDE NO SILÊNCIO

Silence
A única pessoa que gostou de mim nunca disse que gostava de mim. Pelo menos não o disse em palavras. Se houve alturas em que pensei que, por essa pessoa não dizer que gostava de mim com todas as palavras, ele não gostava de mim assim... hoje sei que gostava. Não acho que ele tenha gostado mais de mim do que eu gostei dele. Mas acho que, à maneira dele, ele gostou mesmo muito de mim.

Se precisei de palavras para medir aquele sentimento, hoje sei que devia ter medido o sentimento em gestos. Afinal, o amor não se mede só em palavras e este amor não se poderia medir em palavras. Este amor mediu-se em almoços, em abraços, em private jokes, em mensagens que envolviam apenas um ":)". Mediu-se em todas as vezes que ele largava tudo porque sabia que algo de errado se passava comigo e eu precisava dele, em todas as conversas, em todos os minutos de silêncio. Este amor mediu-se em músicas, tantas, tantas músicas.

Talvez tenha sido uma daquelas histórias de amor épicas, em que as personagens principais acabam por nunca ficar juntas, felizes para sempre, mas foi épica. Hoje sei que aquele amor não precisou de um amo-te da parte dele para ser amor. Aquele amor mediu-se no medo: no medo das palavras, no medo dos sentimentos, no medo de perder. Mas também se mediu na certeza, nos quero que sejas feliz, na energia estranha que todos sentiam e que nós não largávamos. Aquele amor mediu-se na presença.

Este era aquele amor de deixar o coração cheio, a rebentar, tão cheio que acabou por partir quando deixou de caber tudo dentro de um só coração. Aquele amor de não precisar de palavras por ser demasiado óbvio (embora eu tenha sido um bocado ceguinha e só tenha reparado muito tempo depois). Este foi aquele amor de não importa mais nada, de mas fica aqui a ver-me jogar este jogo de que tu até nem gostas, de quero-te mostrar músicas novas porque me fizeram lembrar de ti. Este é aquele amor do qual eu vou falar aos meus netos quando eles me perguntarem como é que saberão o que é amor, é aquele amor do qual nunca me esquecerei, aquele amor que nunca expliquei e que nunca compreendi.

Foi ao aprender a medir este amor que aprendi a perdoar as desilusões, que aprendi a lidar com a nossa nova versão, que aprendi que quero alguém que me faça ter o coração a transbordar mas que esteja lá para me ajudar a conter tudo sem nunca ter de partir. No entanto, este vai ser sempre aquele amor, aquele do qual eu não falo, aquele que se tornou o Lord Voldemort da minha vida por nunca poder ser mencionado. Isto foi amor. E agora sei que o amor também se pode medir no silêncio.



Image Credits | Pinterest


4 Theories So Far

  1. Lindo! Arrepio-me sempre quando leio coisas tuas, é incrível :)

    http://joanasrverissimo.blogspot.pt

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  2. Um texto bastante pessoal e muito, muito, muito bonito.
    Beijinho*

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