ÀS VEZES ACHO QUE JÁ NÃO SEI ESCREVER

sobre escrever um livro
Não sei se já escreveram um livro, mas, quando escrevemos um livro, é inevitável chegar à última página. Pelo menos quando não desistimos do livro e o escrevemos realmente até ao fim. Quando nos aproximamos dessa última página normalmente já sabemos o ponto a que estamos a chegar: o final. Chegar à última página de um livro dá-nos um misto de felicidade e tristeza, de vontade de celebrar e de vontade de não terminar aquela história, de não deixar aquelas personagens ficarem por ali. Claro que, por mais que sejamos os Reis da Procrastinação, acabamos por colocar aquele último ponto final e darmos por nós com um livro pronto. Podemos ler o que escrevemos algumas vezes, fazer algumas alterações e tudo isso, mas nenhum momento se iguala ao de terminarmos o rascunho do nosso livro. Para mim, a melhor parte é mesmo a de terminar o livro e ficar com aquela sensação de dever cumprido e de orgulho por aquilo que criámos. É um bocadinho (muito pequeno) como quando terminamos um trabalho que nos ocupou muito tempo e nos tirou muitas horas de sono.

Em contrapartida, a sensação de desilusão quando percebemos que não estamos a conseguir avançar num livro e - pior! - quando o deixamos por terminar é das piores. É por isso que não pergunto a quem escreve quando é que vai publicar outro livro. Já o fiz e só depois de me perguntarem o mesmo dezenas e dezenas e dezenas de vezes percebi o quanto isso é sufocante para quem escreve. Nunca sabemos os motivos pelos quais essa pessoa não publicou mais livros: pode ser um bloqueio criativo, pode ser um bloqueio emocional, pode ser falta de interesse de editoras, pode ser tanta coisa. Só depois de muitas dezenas de então para quando outro livro? percebi o porquê de odiar este tipo de perguntas. São perguntas que fazem um escritor bloqueado sentir-se ainda pior, fazem-no sentir-se mais desiludido e muitas vezes dão direito a respostas mais ríspidas, que só querem mesmo dizer porra, dêem-me tempo!



EAT, PRAY, LOVE

Comer, Orar, Amar - Elizabeth Gilbert
Tenho um lugar especial reservado a livros que mexem comigo. Aqueles livros que me deixam desconfortável num bom sentido, que me obrigam a pensar e que me mostram formas de ver o mundo diferentes da minha. Suspeitava de que isso aconteceria quando lesse o Comer, Orar, Amar, o que talvez tenha motivado o facto de ter escolhido lê-lo na altura certa. Tenho a certeza de que, se o tivesse lido quando soube da sua existência, há uns sete anos, a experiência não teria sido em nada proveitosa.

Comprei o livro no início do ano. Sabia que não o ia ler de imediato, mas também sabia que ia lê-lo em breve. Não peguei nele todos os dias, desde que comecei a lê-lo, mas fiz exactamente o tipo de leitura que queria fazer: sem pressas, com pausas para meditar sobre o que lia e com alguns momentos de conflito interior e com o livro. Não escolhi a palavra meditar ao acaso.

Para quem não conhece, o Comer, Orar, Amar (em inglês, Eat, Pray, Love) é um livro autobiográfico, de memórias. A autora, Elizabeth Gilbert, era casada, mas percebeu que aquele casamento a sufocava e precisava de se separar. Mas o divórcio foi complicado e desgastante. No final, Liz decidiu que queria passar um ano a viajar, a redescobrir-se. Parte então para Itália, depois para a Índia e por fim para a Indonésia, passando quatro meses em cada local. Em Itália, mais precisamente em Roma, descobre o prazer de comer e de aprender uma nova língua. Na Índia descobre Deus e encontra alguma paz num ashram. Na Indonésia, em Bali (where else?) encontra o amor e a felicidade que lhe parecia ter escapado com o final do casamento e da relação anterior.


ENFRENTAR O MEDO

fiães - trancoso
Não tenho propriamente medo de alturas. Subo a lugares altos e olho para baixo sem grandes problemas, apenas com cuidado para não cair ou não deixar cair algo, como é óbvio. Vivo no 14.º andar e olho para a rua, lá em baixo, sem problemas. Mas quando se trata de subir a lugares altos por escadas apertadinhas a história é outra. Odeio ter de o fazer... então quando as escadas são em caracol e vemos aquilo que está lá ao fundo é cá uma ansiedade que nem vos conto!

No outro dia fui com a minha mãe à torre da igreja cá do sítio. Sei que subi lá há uns anos, há muitos anos, mas na altura não sei se já tinha este problema. A torre da igreja não é muito alta, mas para chegarmos ao pé dos sinos temos de subir escadas em caracol onde, se olharmos para baixo, vemos um poço (sem água, claro). Não foi a melhor sugestão que me fizeram. Mas acreditei naquele corrimão e na minha capacidade de superar o desafio, no sentido ascendente e no descendente.

Foi mais fácil subir do que descer. Porque a descer temos tendência a olhar para baixo e eu não o queria mesmo fazer. Mas subi, sentei-me nos parapeitos que não têm sinos, olhei para baixo o melhor que pude, tendo em conta o vento que estava e o facto de eu não querer voar dali para baixo, e desci devagarinho, sem olhar para baixo. Não devo repetir a experiência nos próximos tempos, mas consegui enfrentar o meu receio de lá subir e acho que às vezes é mesmo isso que temos de fazer: ir buscar a coragem que nos falta e enfrentar o medo. Quem sabe não encontramos mais forças em nós do que aquelas que conhecemos.


A PARISIENSE

A Parisiense - Ines de la Fressange
Nunca fui a Paris. No entanto, enquanto lia este livro, senti-me um bocadinho em Paris. O bocadinho possível, claro. Sonhei com este livro desde o ano em que saiu, 2010. No entanto, nunca me apetecia comprá-lo por ser demasiado caro: e se o livro não fosse nada de jeito e eu tivesse dado 22€ por ele? Hell no! Mas este ano, para minha felicidade, este foi um dos livros do dia da Feira do Livro de Lisboa. Numa tarde, antes das aulas, fui lá buscá-lo a metade do preço — algo que agradou muito mais à minha carteira.

Gosto de ler livros sobre moda e estilo. Não por ser uma grande especialista no assunto, mas por gostar mesmo de ler sobre isso e perceber o que está além das roupas que usamos. Este livro de estilo vai além das roupas e acho que poucos pormenores são deixados ao acaso. A capa em vermelho com a ilustração e as letras em dourado são uma das minhas coisas preferidas neste livro e, neste caso, é impossível não julgar o livro pela capa. Lá dentro, as ilustrações continuam a ser maravilhosas e muito melhores do que as fotografias.


ICYMI: DUAS SEMANAS DE #BEDA2017

fiães - trancoso
Como pessoa desnaturada que sou, não tenho partilhado as publicações que as outras meninas têm feito no #BEDA2017. Mas já que hoje começa a terceira vaga de publicações, decidi trazer-vos um In Case You Missed It, totalmente dedicado a estas duas semanas de BEDA! Como me parece uma boa forma de organização, conto trazer-vos mais dois updates do género até ao fim do projecto, para que possam acompanhar facilmente aquilo que temos andado a preparar-vos!

O #BEDA2017 no...