CONTEÚDO RELEVANTE E AGENDADO? SIM, POR FAVOR!

alvalade - lisboa
Ui, temas polémicos logo no título? Afinal, a noção de "relevante" pode variar de acordo com cada pessoa e publicações agendadas é algo que levanta sempre imensas discussões. Mas tenho pensado muito sobre isto e queria debater o assunto aqui, até porque de certeza têm opiniões a partilhar. Antes, no entanto, deixem-me contar-vos um bocadinho da minha história na blogosfera.

Nos tempos idos de 2009 criei um blog. E durante muitos anos o meu blog funcionava assim: se queria publicar então publicava. Fosse uma publicação ou cinco no mesmo dia. Não pensava em horários, em partilhar os posts nas redes sociais, no tipo de conteúdo que apresentava, nada. Eram tempos em que os blogs não eram como são hoje e eu até achava que um fundozinho com uma bola de espelhos (acusem-se caso se lembrem do Confissões da Pista de Dança/Bailarina Fora de Horas) ficava giro. Mas os tempos e alguns blogs mudaram e ainda bem.

Lembrem-se de que, para tudo o que vou falar a seguir, há excepções e eu vou falar da minha no final.



PORTO: SERRALVES

serralves - porto
Eis aquilo de que me lembrava da minha primeira visita à Fundação Serralves: visitámos o museu por completo (tinha obras que não compreendi), fizemos uma sessão fotográfica imensa no jardim, descemos um bocadinho e, quando eu estava finalmente a aproveitar Serralves, tivemos de ir embora porque estava na hora de o autocarro nos levar de volta a Trancoso. De facto, as visitas de estudo são úteis, mas acabam por nos limitar.

Desta vez, sabia o que queria realmente ver quando passasse os portões da Fundação e foi assim que percebi que eu não tinha visto nada do parque naquela vez em que lá estive. Felizmente, desta vez pude tirar a desforra e explorá-lo com calma, de uma ponta à outra, incluindo a quinta. Optámos apenas pela visita ao parque. Eu já conhecia o museu e não achei que o museu fosse o ponto ideal para a nossa visita.


UM LIVRO DE MEMÓRIAS

álbum Saal Digital
Uma das matérias de Psicologia que mais me interessa é a memória. Acho tão interessante tentar compreender como funciona, por que razão recordamos algumas coisas e outras parecemos não recordar, como é que o nosso cérebro armazena informação. Acho uma matéria mesmo interessante e curiosa. No que trata de guardar recordações, memórias, hoje em dia o nosso cérebro leva com quantidades tão elevadas de informação que não sei como armazena tanta coisa. Curiosamente, nós também armazenamos cada vez mais coisas: horas de vídeos que gravámos em férias ou com os nossos amigos, centenas e centenas de fotografias que captamos num só dia.

Fotografei algumas vezes em analógico, quando a única câmara que tinha era uma que levava um rolo! Lembram-se dos rolos? Comprávamos o que dava para 24 fotografias e cada fotografia tinha de ser muito bem pensada! Não podíamos desperdiçar cliques. A primeira vez que pude fotografar em digital achei que tinha chegado ao paraíso e admito que, agora, muitas vezes fotografo quase sem pensar. Tenho espaço no cartão de memória? Então vamos a isto! Quero muito um dia ter, em tela, algumas das minhas fotografias preferidas. Também gosto de, de vez em quando, seleccionar as minhas preferidas e imprimi-las. As últimas que imprimi foi em 2016, penso eu, e continuam arrumadinhas no mesmo sítio porque nunca encontrei um álbum de que gostasse realmente, com espaço para fazer comentários sobre as fotografias, mas sem ser um espaço pré-definido.


DESTRALHAR: A VIDA, AS REDES SOCIAIS, OS BLOGS

destralhar as redes sociais
No final do ano passado meti na cabeça que seguia demasiadas pessoas nas redes sociais. E como meti isso na cabeça comecei, como é óbvio, a pensar no que tinha de fazer. Deixei de seguir algumas* contas no Twitter e pensei que depois faria o mesmo nas restantes, mas arranjava sempre desculpas, porque no Instagram seguia mais do dobro das contas e no Facebook tinha gosto em mais de 2600 páginas! Queria destralhar as redes sociais, a lista de leitura do Blogger e a do Bloglovin, os contactos no telemóvel, as tretas que tenho arrumadas. E eu nem acumulo muitas coisas físicas, por isso a tarefa ia ser mais complicada a nível digital.

Há umas semanas tirei uma tarde para arrumar as coisas físicas. Estava a ocupar muito espaço no armário e tinha a certeza de que conseguia reduzi-lo e aproveitá-lo para outra coisa. Comecei a ver tudo o que guardei em caixinhas e envelopes e primeiro ainda comecei com balelas: ai, mas não posso deitar isto fora! Foi aquela pessoa que já não vejo há anos que me ofereceu! Depois percebi que não sabia quem era a pessoa. Nem sei se foi mesmo oferecido. E preparei todo o meu espírito crítico e comecei a deitar fora uma data de coisas que não me fazem falta e que só ocupam espaço. Foi bom, arrumei outras coisas naquele lugar e ganhei espaço.

Depois veio a parte complicada. Há mais de dois anos que me vi livre de muitos dos blogs que seguia. Se houve uma altura em que seguia cem ou mais, rapidamente reduzi a lista para metade. E para outra metade. Ao todo, agora sigo 20 blogs. Talvez deixar de seguir blogs seja a parte mais complicada para muitos: ou porque acompanharam aquele blog durante muito tempo e vos custa deixar de o seguir apesar de já não gostarem do que lá é publicado; ou porque a pessoa segue o vosso blog e até comenta e vocês não querem parecer insensíveis ou ingratos; ou porque começam a imaginar a lista de leitura vazia durante dias e isso vos parece aborrecido; ou porque têm esperança de que o blog, que agora está péssimo, melhore; ou, ou, ou. Esqueçam isso tudo.



POST TRAUMATIC EP [2018]

post traumatic ep
Sinto que tudo o que disser nesta publicação vai ficar muito aquém daquilo que eu quero dizer, talvez porque não conheço palavras que me ajudem a decifrar tudo que o tenho para referir sobre o Post Traumatic e o Mike Shinoda. No entanto, não conseguia deixar de escrever sobre este EP, por todo o impacto que já conseguiu ter na minha vida e na dos outros fãs.

O Post Traumatic saiu no dia 25 e nesse dia estava tudo bem. Mas, à medida que as letras dos três temas entravam na minha cabeça, deixou de estar. Este EP não é um EP dos Linkin Park. Também não é Fort Minor. É um EP do Mike e só isso começou logo a mexer comigo: se o Mike se ia apresentar sem alter ego então estes temas iam ter uma carga de honestidade e proximidade maiores do que qualquer um poderia esperar. Honestidade é, na verdade, a primeira palavra que me vem à cabeça para definir estas músicas. São honestas, brutalmente honestas. Mas não só. São duras, reais, fortes. E tamanha realidade fez-me bater no fundo, mexeu comigo ao ponto de me deixar na merda durante quatro dias, só assim para me deixar a pensar na vida e na morte e no Chester. O Post Traumatic soa a dor e a terapia. E penso que é um pouco terapêutico tanto para o Mike como para quem o ouve.

Durante muito tempo, acho que todos os fãs de Linkin Park se sentiram à deriva. Vimo-nos sem o Chester e foi um golpe duro. Houve o concerto no Hollywood Bowl, que abriu e fechou a ferida várias vezes naquelas três horas, mas continuávamos à deriva. Havia alguns comentários (na minha opinião egoístas) desde a primeira hora: os Linkin Park vão acabar; ah, não, os LP não podem acabar!; ah, acabaram os LP; espero que acabem; quero que continuem; etc. Juro-vos que nos primeiros dias eu berrava para o computador sempre que via coisas destas, assim ao estilo Chester na One Step Closer: Shut up, shut up, SHUT UP!

O Mike e o resto da banda iam dizendo coisas, a Talinda tem feito da consciencialização das doenças mentais o seu objectivo, os grupos de fãs incentivaram a entre-ajuda. Mas acho que nos continuávamos a sentir à deriva. Este EP (e o Mike garantir que os Linkin Park vão continuar, embora não para já) surgiu como uma bóia. Uma bóia muito importante para todos. Para nos confrontar com a nossa própria dor, mas também para nos ajudar a atenuá-la. A bóia que nos impede de afundar.



A propósito, o Mike Shinoda faz anos hoje. E como eu sei que ele é um leitor ávido de blogs portugueses, aqui fica: Happy Birthday, Mike!